quinta-feira, 23 de abril de 2009

Para mim chega!
O concreto virou pó.
E como poeira, assopro

Meu coração, agora, está limpo.

sábado, 11 de abril de 2009

Feridas e cicatrizes

Nessa minha condição, escrevo.
Escrevo por um amor machucado,
Escrevo para aliviar a dor,
Escrevo por uma tristeza que ainda tem uma esperança,
Esperança de um dia voltar ao amor, ao riso e à flor.

Ah, quem dera
se os meus desejos expressos na ponta do lápiz pudessem sair do papel
E assim tomar forma,
Com o mesmo vigor no qual escrevo essas palavras!

(S U S P I R O)
.
.
.
(Enquanto permaneço sentada, escrevendo
Escuto ao longe um tímido som de piano - sim, para a minha alegria, o vizinho voltou a compor

Paro

Escuto

E como num estalo,
volto a escrever.
Mas o texto...
toma outro rumo):

Ah, música
Que em cada corda vibrada,
Que em cada tecla tocada,
Meu coração palpita!

Ah, música
Responsável por meus lábios, mesmo tímidos, ensaiarem um doce sorriso.

Escuto.
Na tentativa de reconhecer a música, minhas lágrimas gradualmente secam

Fecho os olhos.
A melodia penetra nos meus ouvidos,
E como um sussurro
Essa me acalma.
Diz para ter paciência,
Diz que mesmo um instrumento desafinado pode fazer parte de uma sinfônia,
Basta afina-lo

Assim sigo
Procuro afinar minha vida nas condições que Deus assim me pôs.
Sei que, cedo ou tarde,
Dos olhos que hoje escorrem lágrimas,
Amanhã emitirá LUZ,
Como duas estrelas que renascem.

Lerei, então, estas páginas como um capítulo encerrado.
Um cápítulo do passado que me trouxe grande sabedoria.

Enquanto isso, aceito a minha condição,
Cuido da minha ferida,
Cuido da cicatrização.

Mas, saiba que mesmo longe
Guardo carinho e ternura,
Anseio pelo seu bem-estar

Pois, mesmo longe
Você merece as coisas mais belas e puras desse mundo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Morte e Recomeço

Respira, ofegante
A dor já toma conta de todos os seus membros
O que antes era luz, fez-se penumbra
Com dificuldade, chama por sua companheira:
- Estou indo...
- Não agora!
- A hora chegou e você precisa ser forte

Com um ultimo abraço, agradecem pelo passado:
- Sempre estarei presente, mesmo que já não seja dessa forma.

As palpebras cedem
A luz surge novamente


A vontade de fuga permanece em seus sentimentos, mas, como qualquer outro impulso, esse se desmorona, igual a uma edificação a beira-mar. Ela, então, escreve. Transferi para a ponta do lápiz sua tristeza (agora transformada na vontade de ser feliz):

Caro Amigo,
Avisa aos mais chegados que eu fico.
Fico com minha Vida,
Fico com minha dignidade,
Fico com minha beleza.
A beleza de saber ser o que sou,
Com as mãos cheias de carinho, cheias de ternura
Escolho estar ao lado dos que amo.

Avisa que estou bem.
Vou levando assim meu presente caminho.
Sigo sem olhar para traz,
O tempo, agora, é meu amigo.
A saudades pode bater
Mas as antigas escolhas, já não faço mais.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

No Balanço

No parque:
Ei, vamos brincar?!
Venha! Sente-se ao meu lado...
Agora me acompanhe...
É só balançar a perna pra frente e pra traz
Isso!
Estique os braços...
Sem medo
Agora, feche os olhos e sinta
Percebe?
Essa deliciosa sensação do vento...
Acariciando seu corpo?
Sente?
Esse maravilhoso sentimento de levantar vôo?
Não te causas nostalgia, alegria e um delicioso gostinho de liberdade?!
Pois bem, compreenda...
Passamos a vida procurando o que nos causa alegria...
Pensamos alto, deduzimos, nos perguntamos "e se..."
Mas, infelizmente, muitos não percebem o doce do seu dia-a-dia
Vivem o futuro, e não o presente (um futuro ilusório baseado em medos e inseguranças...coisa que um simples "e se..." faz)
Por isso, amigo, deixe-se permitir...
A felicidade é feita de sutilezas
E pode ser encontrada em um simples sorriso, em um simples "eu te amo"
Viva, sorria, ame!
Vire criança...Onde cada momento é um momento mágico e inocente.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Origem

Eis aqui o meu nascimento...

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Ana Luiza

Supõe 
Ana Luiza se a guarda cochila 
Eu posso penetrar no castelo 
E galgar a muralha de onde se divisa 
O vale, os prados, os matos, 
os montes, as flores, as fontes 
Luiza 

Ana Luiza 
Eu fiz esta canção pra você 
Que pergunta 
Precisa saber 
Onde anda Luiza 
Luiza 
Luiza 
Luiza 
Por que me negas tanto assim a primavera ? 
Se sabes que a última quimera 
Existe no mundo de Ana Luiza 
Primavera, Ana Luiza 
Teus olhos 
Em que lago, em que serra, em que mar se oculta ? 
Escuta, Luiza 
Na brisa uma canção fala em você 
E pergunta 
Insiste em saber, onde anda Luiza 
Luiza 
Luiza 
Luiza 
Luiza 
Eu te amo tanto 
Quem há de resistir a todo encanto 
Que existe, assiste, em Ana Luiza 



Antônio Carlos Jobim
1973

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Melhor Caminho do Coração

Caeiro, o Mestre dos Heterônimos.

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O Amor é uma Companhia     
Alberto Caeiro 

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Doce primavera

Basta uma flor,

basta uma asa

para saber que a primavera

entrou em nossa casa.

 

Albano Martins