Nessa minha condição, escrevo.
Escrevo por um amor machucado,
Escrevo para aliviar a dor,
Escrevo por uma tristeza que ainda tem uma esperança,
Esperança de um dia voltar ao amor, ao riso e à flor.
Ah, quem dera
se os meus desejos expressos na ponta do lápiz pudessem sair do papel
E assim tomar forma,
Com o mesmo vigor no qual escrevo essas palavras!
(S U S P I R O)
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(Enquanto permaneço sentada, escrevendo
Escuto ao longe um tímido som de piano - sim, para a minha alegria, o vizinho voltou a compor
Paro
Escuto
E como num estalo,
volto a escrever.
Mas o texto...
toma outro rumo):
Ah, música
Que em cada corda vibrada,
Que em cada tecla tocada,
Meu coração palpita!
Ah, música
Responsável por meus lábios, mesmo tímidos, ensaiarem um doce sorriso.
Escuto.
Na tentativa de reconhecer a música, minhas lágrimas gradualmente secam
Fecho os olhos.
A melodia penetra nos meus ouvidos,
E como um sussurro
Essa me acalma.
Diz para ter paciência,
Diz que mesmo um instrumento desafinado pode fazer parte de uma sinfônia,
Basta afina-lo
Assim sigo
Procuro afinar minha vida nas condições que Deus assim me pôs.
Sei que, cedo ou tarde,
Dos olhos que hoje escorrem lágrimas,
Amanhã emitirá LUZ,
Como duas estrelas que renascem.
Lerei, então, estas páginas como um capítulo encerrado.
Um cápítulo do passado que me trouxe grande sabedoria.
Enquanto isso, aceito a minha condição,
Cuido da minha ferida,
Cuido da cicatrização.
Mas, saiba que mesmo longe
Guardo carinho e ternura,
Anseio pelo seu bem-estar
Pois, mesmo longe
Você merece as coisas mais belas e puras desse mundo.