quinta-feira, 13 de novembro de 2008

No Balanço

No parque:
Ei, vamos brincar?!
Venha! Sente-se ao meu lado...
Agora me acompanhe...
É só balançar a perna pra frente e pra traz
Isso!
Estique os braços...
Sem medo
Agora, feche os olhos e sinta
Percebe?
Essa deliciosa sensação do vento...
Acariciando seu corpo?
Sente?
Esse maravilhoso sentimento de levantar vôo?
Não te causas nostalgia, alegria e um delicioso gostinho de liberdade?!
Pois bem, compreenda...
Passamos a vida procurando o que nos causa alegria...
Pensamos alto, deduzimos, nos perguntamos "e se..."
Mas, infelizmente, muitos não percebem o doce do seu dia-a-dia
Vivem o futuro, e não o presente (um futuro ilusório baseado em medos e inseguranças...coisa que um simples "e se..." faz)
Por isso, amigo, deixe-se permitir...
A felicidade é feita de sutilezas
E pode ser encontrada em um simples sorriso, em um simples "eu te amo"
Viva, sorria, ame!
Vire criança...Onde cada momento é um momento mágico e inocente.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Origem

Eis aqui o meu nascimento...

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Ana Luiza

Supõe 
Ana Luiza se a guarda cochila 
Eu posso penetrar no castelo 
E galgar a muralha de onde se divisa 
O vale, os prados, os matos, 
os montes, as flores, as fontes 
Luiza 

Ana Luiza 
Eu fiz esta canção pra você 
Que pergunta 
Precisa saber 
Onde anda Luiza 
Luiza 
Luiza 
Luiza 
Por que me negas tanto assim a primavera ? 
Se sabes que a última quimera 
Existe no mundo de Ana Luiza 
Primavera, Ana Luiza 
Teus olhos 
Em que lago, em que serra, em que mar se oculta ? 
Escuta, Luiza 
Na brisa uma canção fala em você 
E pergunta 
Insiste em saber, onde anda Luiza 
Luiza 
Luiza 
Luiza 
Luiza 
Eu te amo tanto 
Quem há de resistir a todo encanto 
Que existe, assiste, em Ana Luiza 



Antônio Carlos Jobim
1973

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O Melhor Caminho do Coração

Caeiro, o Mestre dos Heterônimos.

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O Amor é uma Companhia     
Alberto Caeiro 

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Doce primavera

Basta uma flor,

basta uma asa

para saber que a primavera

entrou em nossa casa.

 

Albano Martins

domingo, 14 de setembro de 2008

Amo

Não consigo por o que eu sinto em palavras. Poesia atras de poesia nunca explicarão plenamente os meus sentimentos por você...Sempre deixará a desejar. Será o que eu sinto amor?! De fato, não sei...só o tempo dirá. Mas o meu anseio em estar do teu lado por muito tempo continuará...por tempo inderteminado. Nos teus braços me sinto completa, nos teus lábios me encontro, nos teus olhos encontro a luz do meu olhar. Quando escuto teu peito sinto um coração dizer que me ama.

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Ao coração que sofre


XXX 

Ao coração que sofre, separado 
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo, 
Não basta o afeto simples e sagrado 
Com que das desventuras me protejo. 

Não me basta saber que sou amado, 
Nem só desejo o teu amor: desejo 
Ter nos braços teu corpo delicado, 
Ter na boca a doçura de teu beijo. 

E as justas ambições que me consomem 
Não me envergonham: pois maior baixeza 
Não há que a terra pelo céu trocar; 

E mais eleva o coração de um homem 
Ser de homem sempre e, na maior pureza, 
Ficar na terra e humanamente amar. 


Olavo Bilac

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Rosa do coração

Luz dos meus olhos.

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Rosa
Pixinguinha
Composição: Pixinguinha e Otávio de Souza

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer

domingo, 20 de julho de 2008

Um dia aprendemos...

Um dia você aprende que, depois de algum tempo você descobre a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

William Shakespeare

sábado, 19 de julho de 2008

Vou-me embora

Desejo. Apenas um desejo de ir.

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Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar—
Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Um sentimento chamado Amor...

O Amor?! Eu não sei o que é...apenas sinto. E como eu sei que sinto?!...Pois me sinto completa.

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Soneto do amor total
*
Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
*
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
*
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
*
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
*
Vinícius de Moraes

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O mar dos pensamentos

Da ultima vez que tentei ir onde meu pé não mais alcansava, quase afogei. Da ultima vez em que foi nadar no mar de pensamentos, quase submergi onde não conseguia respirar. Da ultima vez, quase levei alguém comigo.
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"Ouça: "A maioria dos homens não quer nadar antes que o possa fazer". Não é engraçado? Naturalmente, não querem nadar. Nasceram para andar na terra e não para a água. E, naturalmente, não querem pensar: foram criados para viver e não para pensar! Isto mesmo! E quem pensa, quem faz do pensamento sua principal atividade, pode chegar muito longe com isso, mas, sem dúvida, estará confundindo a terra com a água e um dia morrerá afogado."
Hermann Hesse - O Lobo da Estepe

domingo, 13 de julho de 2008

A luz do coração...

...é a verdadeira pureza que há em nós.

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"Em cada coração há uma
janela para outros corações.
Eles não estão separados,
como dois corpos.
Mas, assim como duas lâmpadas
que não estão juntas,
sua luz se une num só feixe."

(Jalaluddin Rumi)

sábado, 12 de julho de 2008

No dia em que eu vim embora

Ciclo de vida. Esse é um ensinamento a mais que eu enxergo nesses versos feito por Dimas Lins, um dos participantes do grupo de emails do Sexta-Feira Poesia.
"Outro dia, escutando a música No dia em que vim-me embora, de Caetano e Gil, resolvi me arriscar em uns versos, que acabei publicando no meu blog, o Estradar." Dima Lins

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No dia em que eu vim embora

No dia em que eu vim embora,
Não encontrei alegria em nada,
Senti saudade de casa,
Morri de medo aqui fora.

No dia em que eu vim embora,
Minha mãe me abraçou,
Meu pai me consolou,
E disse “meu filho, é hora”.

No dia em que eu vim embora,
Deixei tanta coisa pra trás,
Parti aflito, sem paz,
Tremi ao me ver mundo afora.

No dia em que eu vim embora,
Carregava apenas a esperança,
Saí sem dinheiro ou herança,
Levei só a dor de quem chora.

No dia em que eu vim embora,
Ir já não parecia tão certo,
Quase desisti, cheguei perto,
Que eu perguntei a Deus: “e agora?”

No dia em que eu vim embora,
Deixei discos, cadernos e livros,
Ficaram também os amigos,
Criança, rapaz e senhora.

No dia em que eu vim embora,
Muita gente na estação,
Tanto adeus, tantas mãos,
Tanta tristeza que aflora.

No dia em que eu vim embora,
Meu pai disse pra eu ser forte,
Minha mãe desejou boa sorte,
E pediu pr’eu escrever sem demora.

No dia em que eu vim embora,
Não prestei atenção na paisagem,
Encolhi e chorei na viagem,
Que nem vi beleza na aurora.

No dia em que eu vim embora,
Deixei um pedaço de mim,
Dizer adeus foi como um fim,

Pois às vezes a saudade apavora.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro

Quando durmo, a paz reina meus sonhos. Quando acordo, os mesmos sentimentos que eu havia deixado de lado a noite voltam e me assombram...como no dia anterior. Talvez seja melhor apenas durmir, quem sabe assim eu encontro a paz.
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Quando hoje eu acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.


- Manoel Bandeira.

Para o leitor gostar de poesia

Não são todos os que apreciam poesia. Muitos podem achar que é besteira de idealistas. Posto, assim, um texto o qual mostra que para gostar de poesia não é preciso muito, basta gostar de ler.
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Publicado em 05.06.2008
Marcus Accioly
marcusaccioly@terra.com.br

Para o leitor gostar de poesia, deve voltar ao ventre, ouvir seu choro e abrir os olhos novamente à luz. Em qualquer desses três estágios, deve haver alguma coisa esquecida que, se lembrada, poderá salvá-lo. Não importa até onde a memória consegue alcançar o passado. Quem olha um poço, quer tocar à água, mas, se não toca, pode ver seu rosto e olhar a cara de um menino olhando. Diz Nietzsche: "Se olhas longamente para dentro do abismo, o abismo olha também para dentro de ti". Gostar de poesia é gostar do que não se alcança e não se vê, mas, que ao se ver, também logo se alcança. Jean Cocteau, explicando o poeta, explica a poesia: "Para mim, o poeta é invisível. Aquele que anda nu impunemente". Outra lição remonta a Whitman – Folhas de relva: "Uma criança disse / O que é a relva? Trazendo um tufo em suas mãos, / O que dizer a ela?... Sei tanto quanto ela o que é a relva, / (...) Vá ver que a relva é a própria criança... o bebê grassado pela vegetação / (...) E agora a relva parece a cabeleira comprida e bonita dos túmulos".

Para o leitor gostar de poesia, precisa apenas entender uma citação de Cortázar: "O cervo é um vento escuro". Ora, o cervo – o gamo ou o veado – comparado ao vento escuro é o próprio salto na poesia, que transforma o vento no animal e o animal no vento. José Martì, na letra da canção – Guantanamera (que significa "garota de Guantánamo") diz: "Mi verso es un ciervo herido / que busca en el monte amparo". Por equívoco, eu cantava "ciervo herido", por "cielo herido". Quando descobri meu erro, comecei a pensar: a imagem de um céu sangrando a cor e buscando no monte algum amparo, é maior e mais bela, plasticamente, do que a de um cervo ferido. O tempo corrigiu meu "ledo engano": um céu, como uma asa, ou uma orelha ferida, buscando o apoio de um monte, à hora do crepúsculo, parece mesmo uma imagem bela. Contudo (ai, de mim!) falta a dor – elemento principal. Um cervo ferido, por menor que seja, é maior do que um céu ferido, pois um "céu ferido" não sente, mas um "cervo ferido" sofre.

Para o leitor gostar de poesia é preciso saber que o que escrevi acima – "hora do crepúsculo" – é um lugar-comum, um clichê como pôr-do-sol, arrebol, fim da tarde, lusco-fusco, etc. T. S. Eliot chamou – em The waste land – a este encontro do dia com a noite de – "hora violeta". Sim, porque para ele essa hora não é um tempo, é uma cor: a cor violeta, ou a cor mais usual da violeta, a ametista, o roxo. Assim, a tarde não se confunde com a manhã: as cores são distintas e as luzes também. Como a violeta é uma flor, a ametista é uma pedra e o roxo é uma cor triste – "a hora violeta" – é o instante em que morre a flor do sol e morre – pela cor – de uma tristeza, ou morre – pelo peso – de uma dor. Mas a palavra violeta pode designar outra lembrança, ou repetir um eco de lembranças. No meu caso, por exemplo, como tive uma cachorra chamada Violeta, se o leitor me conhece, não preciso dizer, ou digo através de Marguerite Yourcenar: "Não me consolo da morte dos meus cães".

Para o leitor gostar de poesia é preciso compreender um verso poderoso como o de Emerson – "Quando fogem de mim, eu sou as asas" – para que fique sabendo que, consciente ou inconscientemente, ele nunca foi deixado, mas deixou-se deixar, soprou do coração o próprio pássaro e o fez com que batesse as duas asas. É preciso compreender a dureza dos versos de Lugones – "Eu que sou montanhês sei o que vale, / a amizade da pedra para a alma" – pois alma e pedra, quando nascem juntas, conseguem ser e são a mesma coisa. O amor possui seus remanejamentos, que se entendam os versos de Zangwill: "Um dia, estando entre nós dois o Atlântico, / senti a tua mão na minha. / Agora, tendo a tua mão na minha, sinto entre nós dois o Atlântico". Do mesmo modo que venho repetindo um refrão, como uma paródia de Vinicius de Moraes – "Para viver um grande amor" – é preciso compreender Vinicius, no seu verso cantado e declamado: "Mas que seja infinito enquanto dure". Trata-se do infinito da duração – e não da duração do infinito. O momento que dura – ou que está durando – é o próprio infinito e seja assim, pois – como o amor do poeta – tudo quanto vive, existe enquanto dura, por isso o seu instante é infinito.

Basta um livro nas mãos e sob os olhos, para o leitor gostar de poesia.

» Marcus Accioly é poeta.