quinta-feira, 13 de novembro de 2008
No Balanço
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Origem
Ana Luiza se a guarda cochila
Eu posso penetrar no castelo
E galgar a muralha de onde se divisa
O vale, os prados, os matos,
os montes, as flores, as fontes
Luiza
Ana Luiza
Eu fiz esta canção pra você
Que pergunta
Precisa saber
Onde anda Luiza
Luiza
Luiza
Luiza
Por que me negas tanto assim a primavera ?
Se sabes que a última quimera
Existe no mundo de Ana Luiza
Primavera, Ana Luiza
Teus olhos
Em que lago, em que serra, em que mar se oculta ?
Escuta, Luiza
Na brisa uma canção fala em você
E pergunta
Insiste em saber, onde anda Luiza
Luiza
Luiza
Luiza
Luiza
Eu te amo tanto
Quem há de resistir a todo encanto
Que existe, assiste, em Ana Luiza
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
O Melhor Caminho do Coração
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Doce primavera
Basta uma flor,
basta uma asa
para saber que a primavera
entrou em nossa casa.
domingo, 14 de setembro de 2008
Amo
XXX
Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Rosa do coração
Rosa
Pixinguinha
Composição: Pixinguinha e Otávio de Souza
Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer
domingo, 20 de julho de 2008
Um dia aprendemos...
E você aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
William Shakespeare
sábado, 19 de julho de 2008
Vou-me embora
Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar—
Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
terça-feira, 15 de julho de 2008
Um sentimento chamado Amor...
segunda-feira, 14 de julho de 2008
O mar dos pensamentos
domingo, 13 de julho de 2008
A luz do coração...
"Em cada coração há uma
janela para outros corações.
Eles não estão separados,
como dois corpos.
Mas, assim como duas lâmpadas
que não estão juntas,
sua luz se une num só feixe."
(Jalaluddin Rumi)
sábado, 12 de julho de 2008
No dia em que eu vim embora
| |
![]() |
No dia em que eu vim embora
Não encontrei alegria em nada,
Senti saudade de casa,
Morri de medo aqui fora.
Minha mãe me abraçou,
Meu pai me consolou,
E disse “meu filho, é hora”.
Deixei tanta coisa pra trás,
Parti aflito, sem paz,
Tremi ao me ver mundo afora.
Carregava apenas a esperança,
Saí sem dinheiro ou herança,
Levei só a dor de quem chora.
Ir já não parecia tão certo,
Quase desisti, cheguei perto,
Que eu perguntei a Deus: “e agora?”
Deixei discos, cadernos e livros,
Ficaram também os amigos,
Criança, rapaz e senhora.
Muita gente na estação,
Tanto adeus, tantas mãos,
Tanta tristeza que aflora.
Meu pai disse pra eu ser forte,
Minha mãe desejou boa sorte,
E pediu pr’eu escrever sem demora.
Não prestei atenção na paisagem,
Encolhi e chorei na viagem,
Que nem vi beleza na aurora.
Deixei um pedaço de mim,
Dizer adeus foi como um fim,
Pois às vezes a saudade apavora.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.
- Manoel Bandeira.
Para o leitor gostar de poesia
Marcus Accioly marcusaccioly@terra.com.br
Para o leitor gostar de poesia, deve voltar ao ventre, ouvir seu choro e abrir os olhos novamente à luz. Em qualquer desses três estágios, deve haver alguma coisa esquecida que, se lembrada, poderá salvá-lo. Não importa até onde a memória consegue alcançar o passado. Quem olha um poço, quer tocar à água, mas, se não toca, pode ver seu rosto e olhar a cara de um menino olhando. Diz Nietzsche: "Se olhas longamente para dentro do abismo, o abismo olha também para dentro de ti". Gostar de poesia é gostar do que não se alcança e não se vê, mas, que ao se ver, também logo se alcança. Jean Cocteau, explicando o poeta, explica a poesia: "Para mim, o poeta é invisível. Aquele que anda nu impunemente". Outra lição remonta a Whitman – Folhas de relva: "Uma criança disse / O que é a relva? Trazendo um tufo em suas mãos, / O que dizer a ela?... Sei tanto quanto ela o que é a relva, / (...) Vá ver que a relva é a própria criança... o bebê grassado pela vegetação / (...) E agora a relva parece a cabeleira comprida e bonita dos túmulos".
Para o leitor gostar de poesia, precisa apenas entender uma citação de Cortázar: "O cervo é um vento escuro". Ora, o cervo – o gamo ou o veado – comparado ao vento escuro é o próprio salto na poesia, que transforma o vento no animal e o animal no vento. José Martì, na letra da canção – Guantanamera (que significa "garota de Guantánamo") diz: "Mi verso es un ciervo herido / que busca en el monte amparo". Por equívoco, eu cantava "ciervo herido", por "cielo herido". Quando descobri meu erro, comecei a pensar: a imagem de um céu sangrando a cor e buscando no monte algum amparo, é maior e mais bela, plasticamente, do que a de um cervo ferido. O tempo corrigiu meu "ledo engano": um céu, como uma asa, ou uma orelha ferida, buscando o apoio de um monte, à hora do crepúsculo, parece mesmo uma imagem bela. Contudo (ai, de mim!) falta a dor – elemento principal. Um cervo ferido, por menor que seja, é maior do que um céu ferido, pois um "céu ferido" não sente, mas um "cervo ferido" sofre.
Para o leitor gostar de poesia é preciso saber que o que escrevi acima – "hora do crepúsculo" – é um lugar-comum, um clichê como pôr-do-sol, arrebol, fim da tarde, lusco-fusco, etc. T. S. Eliot chamou – em The waste land – a este encontro do dia com a noite de – "hora violeta". Sim, porque para ele essa hora não é um tempo, é uma cor: a cor violeta, ou a cor mais usual da violeta, a ametista, o roxo. Assim, a tarde não se confunde com a manhã: as cores são distintas e as luzes também. Como a violeta é uma flor, a ametista é uma pedra e o roxo é uma cor triste – "a hora violeta" – é o instante em que morre a flor do sol e morre – pela cor – de uma tristeza, ou morre – pelo peso – de uma dor. Mas a palavra violeta pode designar outra lembrança, ou repetir um eco de lembranças. No meu caso, por exemplo, como tive uma cachorra chamada Violeta, se o leitor me conhece, não preciso dizer, ou digo através de Marguerite Yourcenar: "Não me consolo da morte dos meus cães".
Para o leitor gostar de poesia é preciso compreender um verso poderoso como o de Emerson – "Quando fogem de mim, eu sou as asas" – para que fique sabendo que, consciente ou inconscientemente, ele nunca foi deixado, mas deixou-se deixar, soprou do coração o próprio pássaro e o fez com que batesse as duas asas. É preciso compreender a dureza dos versos de Lugones – "Eu que sou montanhês sei o que vale, / a amizade da pedra para a alma" – pois alma e pedra, quando nascem juntas, conseguem ser e são a mesma coisa. O amor possui seus remanejamentos, que se entendam os versos de Zangwill: "Um dia, estando entre nós dois o Atlântico, / senti a tua mão na minha. / Agora, tendo a tua mão na minha, sinto entre nós dois o Atlântico". Do mesmo modo que venho repetindo um refrão, como uma paródia de Vinicius de Moraes – "Para viver um grande amor" – é preciso compreender Vinicius, no seu verso cantado e declamado: "Mas que seja infinito enquanto dure". Trata-se do infinito da duração – e não da duração do infinito. O momento que dura – ou que está durando – é o próprio infinito e seja assim, pois – como o amor do poeta – tudo quanto vive, existe enquanto dura, por isso o seu instante é infinito.
Basta um livro nas mãos e sob os olhos, para o leitor gostar de poesia.
» Marcus Accioly é poeta.
